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Mais uma atleta de elite, a acusar positivo num teste anti-doping. Maria Sharapova, tenista de 28 anos, toma desde 2006 uma substância designada por "Meldonium" e que desde o início deste ano, é considerada proibida. 

 

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A tenista confessou ter recebido a 22 de Dezembro de 2015 uma carta com o nome das novas substâncias proibidas, mas não a leu...

 

“Assumo todas as responsabilidades e lamento desiludir os meus fãs”.

 

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O Meldonium (Mildronato) foi adicionado à lista de substâncias e métodos proibidos, por existirem evidências da sua utilização pelos praticantes desportivos com a intenção de aumentar o rendimento desportivo. No início do ano, também outro atleta russo Eduard Vorganov (ciclista) foi apanhado com a mesma substância.

 

Infelizmente, há mais casos positivos no desporto de alta competição.

 

Por exemplo, há um caso bizarro nos Jogos Olímpicos de 1988. Ben Jonhson ganhou a medalha de ouro, mas depois foi apanhado a tomar esteróides anabolizantes. A medalha de outro foi entregue a Carl Lewis, que posteriormente também acusou doping e acabou também por perder a medalha de ouro.

 

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Outro caso (talvez o mais mediático de sempre) refere-se a Lance Armstrong. Este confessou ter usado doping e reconheceu que toda a sua vida foi uma grande mentira. "O meu cocktail era EPO, transfusões sanguíneas e testosterona. Não tinha acesso a nada que os outros não tivessem" e "Era uma história perfeita, mas não era verdadeira" são algumas frases ditas pelo ex-ciclista, que nos vão ficar para sempre na memória.

 

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publicado às 00:09

A adesão, partilha e aprendizagem sobre assuntos relacionados com desporto e saúde, são o foco desta página. A vossa colaboração é fundamental e nesse sentido, a Radiografia Desportiva hoje inicia uma nova crónica: "Resposta aos leitores".

 

Vai ser recordada a publicação feita no facebook da Radiografia Desportiva e que suscitou algumas questões por parte do leitor Bruno Ferreira.

 

Desporto vs Saúde

"Não é fácil ser atleta de alta competição. Mais ainda, quando todos perspectivam uma carreira de sucesso e aos 24 anos, há historial clínico de lesões graves. É o caso de Sergio Canales, médio da Real Sociedad, que voltou a ter uma rotura do ligamento cruzado anterior (desta vez no joelho esquerdo).

Palavras do atleta após saber o diagnóstico clínico: "Muito obrigado a todos, não há palavras para agradecer a força que me dão. Sempre foi um privilégio para mim jogar futebol e não vai ser agora que vai deixar de ser".

Força e boa recuperação!"

 

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Questões:

1 - Quais os factores que levam a uma reincidência, de um atleta vigiado diariamente?

2 - Genética, preparação deficiente, ausência de reforço muscular ou prevenção de lesão? Ou simples "azar"?

 

1 - A avaliação clínica dos atletas de alta competição, tenta ser o máximo detalhada e tem como principal objetivo identificar potenciais focos de lesão e de doenças. Os resultados servem para desenvolver, junto com toda a equipa (treinador, médico, fisioterapeuta, entre outros) um trabalho de prevenção e tratamento de lesões. Os exames clínicos e avaliação através de exames complementares de diagnóstico, são muitos importantes para avaliar o estado da condição física dos atletas.

 

Há algumas medidas preventivas, tendo por base as lesões prévias de cada atleta. O reconhecimento atempado dos sintomas de lesão e a sua redução e/ou alteração da carga de treino, a reabilitação completa (estando implícito que o desportista apenas deve retomar a atividade desportiva no momento em que não tiver sintomas de dor, quando a sua amplitude de movimento estiver recuperada e se tiver recuperado a força muscular até um nível de, pelo menos, 90% da que tinha antes da lesão).

 

No entanto, o tecido reparado poderá não funcionar da mesma forma ou ser menos protector que o tecido original e provocar compensações no membro contralateral. Aqui, a importância de um bom ortopedista é fundamental!

A exigência do desporto de alta competição também não é propício a um período de espera elevado (pensa-se que é totalmente desajustado, atletas após uma ligamentoplastia estarem a jogar 4 ou 5 meses depois).

—Durante todo o processo de recuperação, qualquer falha na reabilitação poderá comprometer o resultado final. O neo-ligamento pode até estar anatomicamente íntegro, mas ser funcionalmente ineficaz (Noronha, J., 2000, citado por Almeida, I. B., 2005). 

 

2 - Há alguns estudos científicos que relatam que a lesão do ligamento cruzado anterior pode ter origem genética (sulco femural mais estreito, onde passam os ligamentos). De qualquer forma, é uma analogia sempre difícil de fazer e são necessários mais estudos científicos.

 

A cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior (normalmente) é feita através de enxerto de tecido conjuntivo do tendão patelar e sendo esse tecido mais resistente, é mais difícil uma nova rotura no joelho que passou pela cirurgia. De qualquer forma, é possível e caso haja compensações do joelho contrário, este torna-se mais vulnerável a lesão.

 

Por se tratar de um atleta de alta competição, inevitavelmente requer maiores exigências físicas e um treino adicional, pela necessidade de retomar a atividade competitiva no período mais curto possível, mas com a máxima segurança.

 

Todos os exercícios para prevenção de lesões devem ser feitos... para sempre! No membro operado e não operado.

 

Têm de existir objetivos para desenvolver a constituição muscular do atleta (aumento— da produção de potência muscular) e linhas orientadoras do treino de força, tais como:

- seleção do exercício

- frequência do treino

- séries

- repetições

- resistência

- progressão da carga

- velocidade de execução

- amplitude dos exercícios

- respiração normalizada durante o exercício

(Kjaer, M. et al., 2003).

 

A maioria dos programas de treino neuromuscular incluem exercícios de equilíbrio, estabilidade dinâmica, exercícios pliométricos e exercícios específicos do desporto (incluindo o equilíbrio e salto) (von Porat, A., Henriksson, M., Holmström, E. & Roos, E. M., 2007).

 

Em relação à última pergunta "ou simples azar?"... é sempre difícil de responder. Certamente, que as equipas técnicas estão preparadas para este tipo de situações. Mas infelizmente, continuam a acontecer. A melhor forma de as minimizar, é continuar com programas de prevenção de lesões.

 

Nesse sentido, ficam alguns exercícios que se podem fazer...

 

 

Almeida, I. B. (2005). Protocolo de recuperação após ligamentoplastia O.T.O. do LCA. EssFisioOnline, 1 (2), 26-39.

 

Kjaer, M., Krogsgaard, M., Magnusson, P., Engebretsen, L., Roos, H., Takala, T. & Woo, S. (2003). Compêndio de medicina desportiva: ciência básica e aspectos clínicos da lesão desportiva e da actividade desportiva. Instituto Piaget: SIG.

 

von Porat, A., Henriksson, M., Holmström, E. & Roos, E. M. (2007). Knee kinematics and kinetics in former soccer players with a 16-year-old ACL injury: the effects of twelve weeks of knee-specific training. BMC Musculoskeletal Disorders, 8 (35), 1-10.

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publicado às 22:49

Casos de depressão no desporto de alta competição

por Radiografia Desportiva, em 10.11.15

Muitas pessoas quando pensam na vida de um atleta de alta competição (seja de que modalidade for), dificilmente associam estados depressivos ou outras patologias. Mas nem tudo é um mar de rosas.

 

O principal problema neste tipo de população, muito provavelmente, debate-se com o autoconceito e autoestima. O autoconceito, refere-se à maneira como a pessoa se vê a si própria. Pode ter autocomplexidade alta ou baixa, pois inclui diferentes identidades (uma pessoa não é só a sua profissão). O autoconceito não é o mesmo que autoestima, que corresponde à avaliação que fazemos de nós próprios e que se associa às crenças que temos em relação a nós e quando está reduzida, pode estar associada a depressão.

 

É evidente que há uma forte ligação entre desporto, saúde física e psicológica e se nos concentrarmos apenas numa delas, corremos o risco de deixar escapar informações importantes e alguns traços comportamentais pouco comuns.

 

A contundente influência restritiva que a sociedade exerce sobre os "atletas de televisão", limita as suas possibilidades de atuação, maioritariamente a nível social, oprimindo-os sob os modelos e padrões de "exemplo". Esse rigor levado ao extremo, pode levar a casos de má memória para todos.

 

Robert Enke, guarda-redes internacional alemão que jogou três temporadas no Benfica e que também atuou pelo Borussia Mönchengladbach, Barcelona, Fenerbahçe, Tenerife e Hannover 96, suicidou-se no dia 10 de Novembro de 2009 (faz hoje 6 anos) numa linha de comboio, depois de um longo período associado a depressão. O atleta sempre foi conhecido internamente por ser perfecionista e tinha sempre medo de falhar.

 

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Ian Thorpe, atleta mundialmente conhecido, também passou grande parte da sua vida afetado por uma depressão (segundo relata a sua autobiografia). O pentacampeão olímpico em natação, admitiu no seu livro que planeou o suicídio por diversas vezes e que houve alturas em que bebeu grandes quantidades de álcool para conseguir gerir as mudanças de humor que tinha.

 

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Ser atleta de alta competição, não é fácil. O conceito de desporto de alto rendimento está relacionado com um elevado cariz de exigência, que nem sempre é gerida da melhor forma por todos.

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publicado às 21:02


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