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Ao que tudo indica, William Carvalho lesionou-se (fratura na tíbia) ao serviço da Seleção Nacional de sub-21 no Campeonato da Europa e está impedido de treinar e jogar desde a final desse torneio (desde 30 de Junho de 2015).

William Carvalho - Momentos de jogo

 

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Recorda-se que o médio, foi eleito o melhor jogador da competição.

Vem logo à memória, outras estrelas do Sporting, como Delfim, que ajudou o seu clube a ser campeão em 1999/2000 (fez parte da equipa que quebrou o jejum de 18 anos sem ganhar o campeonato) ou Rinaudo, que era fundamental no meio-campo do Sporting até ter uma lesão semelhante.

Delfim - Momentos de jogo (minuto 1:15)

 

Rinaudo - Momentos de jogo

 

Vamos começar pela definição do que é um osso e explicar ao pormenor todas as questões de fisiopatologia.

 

O osso possui um aporte vascular complexo e vários tipos de células ósseas especializadas que formam e reabsorvem a matriz óssea. Como nos outros tecidos músculo esqueléticos, o osso é consistido por células mesenquimais e matriz extracelular, mas ao contrário dos outros tecidos, a matriz mineraliza (Stuart, Weinstein, Joseph & Buckwalter, 2005).

 

Os ossos longos (comprimento maior que largura, como é o caso da tíbia) têm uma estrutura básica comum:

- Diáfise – corpo cilíndrico central que apresenta no seu interior o canal medular, preenchido por medula óssea.

- Metáfise – à medida que se avança para as extremidades, a diáfise vai dando lugar à metáfise, região onde já não existe canal medular e o osso é constituído por lamelas ósseas longitudinais (osso esponjoso).

- Epífises – são as extremidades dos ossos (osso esponjoso). Nas crianças são constituídas por um núcleo de ossificação secundário (que permite o crescimento radial do osso) e pela cartilagem de crescimento (que os adultos não têm). Externamente, o osso longo é revestido por uma membrana que se designa por periósteo e que tem, na sua parte mais profunda, células osteogénicas, que por um mecanismo aposicional, promovem o crescimento ósseo em espessura. 

 

As fraturas, são provocadas pela ação de forças que excedem a capacidade de resistência dos vários tecidos ósseos. A intensidade da força aplicada determina a severidade da lesão, bem como a extensão provocada quer no tecido ósseo quer nos tecidos moles (Johnston & Brian, 2004). A fratura desencadeia uma sequência de inflamação, reparação e remodelação, que pode repor o osso atingido ao nível que estava antes da fratura (Stuart, Weinstein, Joseph & Buckwalter, 2005). 

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No entanto, pode haver várias complicações das fraturas tibiais:

- Consolidação tardia - é uma complicação comum e ocorre em cerca de 1 a 17% dos casos. Se não houver evidência de união após 20 semanas, suspeita-se então de uma recuperação demorada, sendo então tratada através de enxerto ósseo.

- Não consolidação - é um problema bem conhecido que ocorre normalmente em fraturas na junção do terço central com o terço inferior. Pode ser tratado através da fixação rígida interna com compressão através de placas e enxerto ósseo.

- Não consolidação infetada - este tipo de lesão coloca graves problemas ao ortopedista e o tratamento recomendado é o método de Ilizarov de fixação externa.

- Má consolidação - devido à articulação do joelho, a má consolidação da tíbia não é aceitável pois pode provocar degenerações artríticas muito cedo.

- Encurtamento - pode ser devido a uma ineficiente união ou sobreposição dos fragmentos da fratura. Os encurtamentos superiores a 2 cm podem requerer técnicas de alongamento do osso.

- Infeção - Devido à localização subcutânea do osso, as infeções são muito comuns devido à alta frequência de fraturas compostas, seguidas dos acidentes de viação.

- Outras complicações - Sindromes compartimentais, rigidez nas articulações, refraturas e/ou dedos dos pés em forma de garra, são outras complicações comuns.

 

As complicações acima referidas, são mais frequentes por outro mecanismo de lesão que não se relaciona com o excesso de carga (é mais comum por exemplo em acidentes rodoviários ou quedas).

 

Pelo excelente acompanhamento médico que este tipo de atletas têm, as várias complicações que podem surgir com a fratura que teve, são ultrapassáveis e recuperadas. Por outro lado, devido à sua posição em campo, à disponibilidade física que terá de ter quando regressar ao campo, acreditam que continuará a ser um dos melhores do Mundo na sua posição? Voltará a exibir o seu melhor nível ainda durante a época 2015/2016?

Pelas características do seu jogo, não vai ser uma tarefa acessível. De qualquer forma, a Radiografia Desportiva espera no próximo ano, refazer a publicação e dizer que o jogador continua a ter qualidades intactas de Patrick Vieira ou Yaya Touré (se possível, melhor que os atletas citados). A sua qualidade para o desporto, também fará falta à seleção nacional.

Continuação de uma boa recuperação e que volte aos relvados em breve!

Johnston. Brian D. (2004). Injury Rehabilitation and the role of Cryotherapy. Synergy.

Weinstein. Stuart L, Buckwalter. Joseph (2005). Turek´s Orthopaedics: Principles and Their Application (6ª Ed.). Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins.

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publicado às 18:44

Pré-época desportiva

por Radiografia Desportiva, em 07.08.15

A pré-época é um período de preparação muito importante para o sucesso de qualquer equipa. Apresento-vos um vídeo, onde se trabalha agilidade, mudanças de direção e velocidade.

 

É neste período pré-competitivo que se começa a inserir as metodologias de treino e os atletas começam a assimiliar as ideias da equipa técnica.

 

Para além do treino em si, é vital haver uma avaliação cuidada de cada jogador, que deve ter diversos parâmetros:

- Idade; Peso; Altura, Índice de Massa Corporal; História clínica anterior; História clínica atual; História médico-cirúrgica; Tensão Arterial; Frequência cardíaca e respiratória; Perímetros musculares; Exames complementares e outras especificidades/observações de cada atleta.

 

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publicado às 21:10


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